24 de outubro de 2021

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Final do GP da Bélgica gera muitas dúvidas em relação às regras da F1

Ao proclamar Max Verstappen o vencedor do Grande Prêmio da Bélgica depois de apenas duas voltas atrás do safety car, sob a forte chuva que caiu no circuito de Spa-Francorchamps, a imagem da Fórmula 1 ficou arranhada perante o público e levantou muitas questões sobre seu regulamento.

A largada da 12ª etapa do Mundial da categoria foi realizada após três horas, depois de duas tentativas frustradas, com os carros partindo dos boxes atrás do safety car porque a visibilidade era zero, impedindo qualquer ultrapassagem e apenas por duas voltas: uma “farsa” segundo o líder da campeonato, o britânico Lewis Hamilton, que afirmou que  preferia a anulação da prova.

 

O que diz o regulamento?

De acordo com o regulamento da Federação Internacional do Automobilismo (FIA), “metade dos pontos serão atribuídos se o líder completar mais de duas voltas, mas menos de 75% da distância inicial da corrida”. Não está estipulado que isso deva ser feito sem um carro de segurança (safety car). A F1 foi, portanto, capaz de designar um vencedor e conceder pontos aos dez primeiros.

De acordo com outro ponto do regulamento, a classificação é aprovada na penúltima volta antes da interrupção da corrida. O que é um ponto questionável, pois o GP da Bélgica oficialmente durou apenas uma volta e 3 minutos, 27 segundos e 71 milésimos. De longe a corrida mais curta da história.

 

Por que a corrida não foi anulada?

Um Grande Prêmio nunca foi cancelado no dia da corrida. A Fórmula 1 certamente não queria criar esse precedente. Principalmente quando a categoria busca organizar um número recorde de provas neste ano.

Uma vez que teve que reduzir o total para 22 corridas em vez das 23 iniciais devido à pandemia, a anulação seria uma mancha neste recorde (atualmente estabelecido em 21).

“Fizemos o nosso melhor, mas o tempo nos derrotou”, explicou Michael Masi, diretor da corrida belga. “Estávamos em contato permanente com o nosso prestador de serviços meteorológicos e havia uma janela onde parecia que o tempo iria permitir a largada, (…) mas a meteorologia nos derrotou”.

 

É preciso mudar o regulamento?

Os próprios pilotos não entendem as regras. “É uma piada. Achei que era necessário  completar 25% da corrida para receber pontos”, disse o alemão Sebastian Vettel (Aston Martin).

“É chocante. Como você pode marcar pontos em uma corrida?”, questionou outro campeão mundial, o espanhol Fernando Alonso (Alpine).

“Precisamos de uma solução melhor para nosso esporte. Todos juntos temos que revisar os regulamentos para aprender as lições deste dia”, disse o diretor da equipe McLaren, Zak Brown.

A F1, a FIA e as equipes disseram que querem sentar e discutir possíveis mudanças.

Não era possível correr na segunda-feira?

“Não há possibilidade de adiar a corrida até amanhã (esta segunda)”, disse Masi no domingo. Por que? “A lista (de motivos) seria longa”, acrescentou.

A principal causa foi a enorme logística necessária para mover o gigantesco ‘paddock’ para ficar pronto para a próxima corrida, neste fim de semana na Holanda.

O tempo ainda estava ruim nesta segunda-feira em Spa-Francorchamps de acordo com as previsões.

 

Motivos financeiros podem explicar a decisão?

Para Hamilton, essa “farsa” era a “pior escolha”. O heptacampeão mundial da Mercedes considerou que “o dinheiro falou”. “Estas duas voltas para o início da corrida são uma encenação para o dinheiro.”

O presidente da F1, Stefano Domenicali, argumentou: “Quando ouço que há discussões comerciais por trás disso, é totalmente falso.” Segundo o italiano, a F1 ainda teria recebido sua receita como promotor da corrida, mesmo que os carros não tivessem saído dos ‘boxes’ para a tentativa de largada.

 

Há precedentes?

Nunca um vencedor de Grande Prêmio foi nomeado sem uma única volta de corrida real. Mas em alguns GPs metade dos pontos já foram dados por conta da chuva: na Malásia em 2009 (vitória de Jenson Button), na Austrália-1991 (Ayrton Senna depois de apenas 14 voltas e menos de 25 minutos), ou em Mônaco-1984 (Alain Prost )

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